• O sal passou de algo extremamente importante no passado a um dos grandes vilões do mundo moderno.

    Nós humanos somos seres salgados. Nós choramos e suamos sal. Até o nosso sangue é salgado.

    Ter o desejo pelo sal é algo normal, uma necessidade biológica, da mesma forma que ter sede por água.

    Não podemos viver sem ele, necessário para transportar nutrientes através das membranas celulares e em todas as suas células.

    E porque somos aconselhados constantemente a evitá-lo?

    Na verdade, vivemos num mundo em que a maioria dos alimentos são refinados, industrializados, carregados com sódio mesmo que não sejam alimentos tradicionalmente “salgados”. Ele atua como um conservante de alimentos e funciona removendo a água dos alimentos para que as bactérias não sobrevivam.

    O sal sempre foi usado para preservar alimentos, por milhares de anos. Porém, a versão industrializada é carregada com produtos químicos e por isso apresenta efeitos desfavoráveis para a saúde.

    Indiretamente é por isso que o FDA e a American Heart Association (AHA) recomendam que você não deve consumir mais do que 1.500 mg por dia. Essa medida seria para reduzir a pressão arterial e o risco de doença cardíaca,

    Veja como é a hipótese deles:

    • Você come sal e fica com sede, então você bebe mais água. O excesso dele faz com que seu corpo retenha essa água.

    E reter o excesso de água aumenta o volume sanguíneo, o que leva a uma pressão sanguínea mais alta… e, portanto, a doenças cardíacas e derrames.

    Parece fazer sentido em teoria. Mas há um grande problema.

    Os fatos não confirmam isso.

    Estudos repetidos falharam em mostrar uma ligação causal entre sua ingestão e a pressão alta.

    De fato, muitas pesquisas chegam a apontar na direção oposta.

    Nos últimos 10 anos vários estudos ​​publicados e revisados revelaram que quando sua ingestão diária de sódio cai abaixo de 3.500 mg, seu corpo reage com um rápido aumento dos hormônios renina, angiotensina e aldosterona.

    Isso pode levar à resistência à insulina e desencadear doenças crônicas, como diabetes, síndrome metabólica e doenças cardíacas, exatamente o que se supõe que a restrição previna.

    Em um estudo envolvendo 130 mil pessoas em 49 países, realizado por pesquisadores de Harvard em 2016, colocou-se pessoas saudáveis ​​em uma dieta com pouco sal.

    Em uma semana, essas pessoas desenvolveram resistência à insulina.

    Ou seja, ficou claro que a baixa ingestão de aumenta o risco de ataque cardíaco, derrame e morte, em comparação com uma ingestão média.

    Portanto, ao reduzir o seu consumo de sal em 30% ou mais, como a FDA e a AHA recomendam, há grandes chances de se gerar problemas sérios de saúde.

    Agora… É de se pensar que essa postura de décadas pode até ser parcialmente responsável ​​pela epidemia de resistência à insulina e diabetes enfrentada por milhões de pessoas atualmente.

    Nem todo sal é criado igual

    A verdadeira pergunta que você deveria fazer não é: devo comer sal ou não?

    Mas sim: qual é o tipo certo que devo ingerir?

    Veja as diferenças:

    Sal de mesa processado

    Minimize-o: Esse produto encontrado em prateleiras dos supermercados é o sal de mesa refinado, que é superaquecido e branqueado até que seja desprovido de nutrientes e minerais.

    Alternativas naturais

    Sal marinho: não é refinado. Ele contém cloreto de sódio como o comum, mas também tem 50 outros minerais, com todos os co-fatores e oligoelementos que a natureza pretende que o sal real tenha. Mas lembre-se que a maior dele em todo o mundo foi contaminado pela poluição dos plásticos. Mesmo assim ainda é melhor do que o de mesa processado.

    Sal rosa do Himalaia: é extraído de antigas salinas nos Himalaias e Afeganistão. Tem menor risco de contaminação, pois estas salinas são antigas e secas. É riquíssimo em minerais.

    Atenção!

    Há exceções: algumas pessoas precisam realmente de restrição do sal, portanto se você estiver com essa orientação médica, não mude de postura sem autorização do profissional que o acompanha.

     

    Referências bibliográficas: