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Ano VII | ® Editora Conceito, desde 1998 | ISSN 2359-4578 | Editora-chefe: Marta DePaula | Editor-científico: Dr. Luiz Alberto da Fonseca CRO-SP 43730 |  Jornalista: Cezar Brites Mtb 15732



Hormônios na Odontologia

Dra. Cibele Puhl      segunda-feira, 1 de julho de 2019

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O corpo humano é sistêmico, sendo assim deve ser avaliado integralmente. A cavidade bucal, é porta de entrada para agentes patogênicos, causadores de doenças que podem afetar o coração, pulmões, estômago e também, revela sinais e sintomas importantes de doenças sistêmicas presentes no organismo, como por exemplo, osteoporose, osteopenia, diabetes, artrite, artrose, síndrome dos ovários policísticos, depressão, síndrome do intestino irritável, fibromialgia, entre outros.

É necessário, ressaltar a parte legal que percorre desde as prerrogativas do Cirurgião Dentista às constatações cientificas dos benefícios dos hormônios receitados aos pacientes, após diagnósticos de doenças bucais, aqui entenda-se cabeça\pescoço. Desta vênia prosseguimos, conforme relatos históricos desde os neandertais que já se preocupavam com as questões bucais, e no decorrer da linha temporal entramos no período dos relatos em papiro e pergaminhos, bem como algumas religiões ainda no século III ligando a cura das enfermidades, dentre elas bucais, com a incidência solar, o qual todos sabemos hoje, tratar-se da Vitamina D, ou melhor ainda, do HORMONIO COLECALCIFEROL, enaltecendo a ligação e a importância dos Hormônios na Odontologia.

Sabe-se que a Odontologia no Brasil chegou junto com a Caravela de Cabral, porem partindo para 25 de outubro de 1884, por um Decreto do Governo Imperial assinado por D. Pedro II criou-se o primeiro curso de Odontologia oficialmente no Brasil, e de lá para cá muitos foram os Decretos, Leis, Normativas, Resoluções e afins.

Atualmente, cirurgiões-dentistas e médicos estão respaldados pela legislação para fazer uso de hormônios. Segundo a lei número 9.965, de 27 de abril de 2000, que restringe a venda de esteroides ou peptídeos anabolizantes, a dispensação ou a venda de medicamentos do grupo terapêutico dos esteroides ou peptídeos anabolizantes para uso humano estão restritos à apresentação e retenção pela farmácia ou drogaria da cópia carbonada de receita emitida pelo médico ou dentista, devidamente registrados nos respectivos conselhos profissionais (CRM ou CRO).

Desta feita, fica evidente que os HORMÔNIOS estão diretamente ligados ao ser humano e este por sua vez ligado ao Cirurgião-Dentista, o qual é responsável pela Saúde do paciente através do diagnostico bucal tornando-se incondicional seu tratamento. Ainda que de maneira concisa, abordasse a relação Hormonal com a Odontologia, não se deve subestimar sua real complexidade e indissociabilidade, pois os tratamentos concomitantes à base de hormônios tornam-se mais eficazes do que quando são utilizados procedimentos convencionais. 

É notório, tanto no ambiente clinico quanto na esfera Acadêmica pelas inúmeras pesquisas publicadas no PUBMED, que as doenças bucais mais comuns como: Cárie, Gengivite, Periodontite, Afta, Halitose, Candidíase Oral, Perda Óssea Alveolar, Disfunção Temporo-mandibular (DTM) e Endocardite Bacteriana são facilmente prevenidas ou até mesmo extintas quando da utilização dos Hormônios. Vejam:

A erupção do dente envolve uma diversidade de fatores que aceleram ou retardam este processo. Os fatores endócrinos exercem importância fundamental no processo de erupção dental, dentre os quais podemos citar os hormônios das glândulas Tireoide, Paratireoides, Supra-renais e Hipofise Anterior. Os hormônios da Tireoide aumentam o metabolismo de todas as células do corpo, acelerando a formação das estruturas dentárias propiciando também uma erupção precoce frente a reabsorção do osso da superfície oclusal favorecendo a extrusão dentária. O paratormônio, sintetizado e liberado pelas glândulas Paratireoides, regula o teor de Cálcio disponível a mineralização do dente e acelera o processo de erupção. O hormônio do crescimento estimula a osteogênese no osso apical, fazendo uma pressão positiva para que o dente se movimente. O hormônio estradiol é responsável pela lubrificação das mucosas orais, pelo aumento das células do ligamento periodontal, além de promover reparação do osso alveolar, aumento do colágeno e elastina, melhora do fluxo sanguíneo, aumento da espessura da pele e inibição da  metaloproteinases de matriz, responsáveis pela degradação do colágeno. Bertl k, 2013 evidenciou o envolvimento da melatonina na patogênese da periodontite, devido suas capacidades antioxidantes. Fanton LE et al, 2017 ressaltou o efeito anti-inflamatório e antinociceptivo da testosterona em pacientes que apresentavam disfunções na ATM. Bellido et al, 1995 revelou que a deficiência de testosterona esta relacionada ao aumento dos níveis de citocinas pró-inflamatorias, como a interleucina-6 e aumento da atividade osteoclastica. A progesterona, importante hormônio responsável pelo controle da dor, relaxamento muscular, diurese e potente ação-antiinflamatória.

 É de extrema importância que o Cirurgiã-Dentista realize em sua consulta clínica a solicitação dos exames laboratoriais e radiológicos e\ou de imagem, e frente aos dados realize o diagnóstico, passando a imediatamente tratar seus pacientes. Lembrando que o Cirurgião-Dentista pode prescrever tudo o que a ciência preconiza, que tenha relação direta com o problema do paciente. Algumas situações clínicas, como menopausa, sobrepeso, diabetes, hipertensão, triglicerídeos, utilização de medicamentos alopáticos, homeopáticos e quaisquer outros que acredite estar agindo em maleficio do paciente e, por conseguinte interferindo na saúde bucal. Nesse caso, o Cirurgião-Dentista ao diagnosticar o problema é imprescindível que mantenha uma linha direta com multidisciplinariedade.

Referências:
BELLIDO et al, 1995. The Journal of Clinical Investigation J Clin Invest. 1995;95(6):2886-2895. https://doi.org/10.1172/JCI117995.
TROWBRIDGE,H.O;EMLING,R.C. Regeneração e cicatrização. In: Inflamação: uma  revisão do processo.4 ed. São Paulo: quintessence,1996.cap.7.p.146-7.
C.N. Soares, O. P. Almeida. Associação entre depressão na perimenopausa e níveis séricos de estradiol e hormônio folículoestimulante. Rev Bras Psiquiatr, 22 (2000), pp. 17-21
H. Joffe, J.E. Hall, S. Gruber, I.A. Sarmiento ,L.S. Cohen, D. Todd-Yurgelun. Estrogen therapy selectively enhances prefrontal cognitive processes: a randomized, double blind, placebo controlled study with functional magnetic resonance imaging in perimenopausal and recently postmenopausal women. Menopause, 13 (2006), pp. 411-422 
Costa JG, Rodrigues GF, Botelho MA. Antibacterial properties of pequi pulp oil (Caryocar coriaceum-Wittm.). Int J Food Prop. 2009. (In press).
Botelho MA, Rao VS, Carvalho CB, Bezerra-Filho JG, Fonseca SG, Vale BM, et al. Lippia sidoides and Myracrodruon urundeuva gel prevents alveolar bone resorption in experimental periodontitis in rats. J Ethnopharmacol. 2007;113(3):471-8
Botelho MA, Santos RA, Martins JG, Carvalho CO, Paz MC, Azenha C, et al. Comparative effect of an essential oil mouthrinse on plaque, gingivitis and salivary Streptococcus mutans levels: a double blind randomized study. Phytother Res. 2009; 3(9):1214-9.  
Guyton, Arthur C.; Hall, John E. Tratado de Fisiologia Médica.13 ed. 2017. Elsevier.


Autora: Drª. Cibele Puhl - Especialista em Odontologia em Saúde Coletiva. Modulação Respiratória -Método HBTC -RFA. 
Protocolo Botelho. CRO-PR 13650

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Dose seus hormônios

Segundo a ciência, os desruptores endócrinos podem provocar estragos diversos no organismo, que vão de obesidade a câncer, passando por distúrbios na tireoide.
A ciência está descobrindo que produtos do nosso cotidiano, como esmaltes, televisão e até água encanada, escondem substâncias capazes de alterar o funcionamento do nosso corpo.
Você sabia que os desruptores endócrinos são compostos artificiais ou naturais que interferem na ação dos nossos hormônios e nos expõem a doenças? Hoje, há suspeitas sobre mais de 800 misturas químicas. “Elas estão na indústria e na agricultura e entram no corpo pela ingestão de água, de alimentos e pela respiração”, diz a química Débora Santos, da Universidade Federal de Pernambuco. Essa também é uma boa razão pela qual você deve dosar seus hormônios.

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